Acesso à internet por crianças e adolescentes é tema de artigo de Marcos Akira Mizusaki no portal O Imparcial

O texto faz uma crítica ao papel do virtual na vida dos menores

Publicado em 30 de junho de 2022

Uso indiscriminado da internet para crianças é tema de artigo do Promotor de Justiça da Infância e Juventude de Presidente Prudente, Marcos Akira Mizusaki.

O texto trata sobre o uso excessivo de internet entre crianças e como isso pode resultar em problemas. Akira explana sobre a importância das famílias em se atentar sobre as “janelas infinitas” disponibilizadas aos menores na grande rede.

Leia a íntegra do texto:

Os perigos das janelas invisíveis

Em toda residência, as janelas cumprem um papel fundamental. Elas são responsáveis por permitir a iluminação natural pelo interior da casa, além de propiciar uma ventilação para todos os ambientes, causando um bem-estar de quem a ocupa. Ao olharmos para uma janela, temos também o acesso à paisagem externa, ampliando a imagem de uma simples parede.

No entanto, a modernidade vem permitindo a abertura de outras janelas que fogem do nosso controle. Através do computador (com acesso à internet), temos a abertura de infinitas janelas. Diferentemente das janelas convencionais, as janelas do computador permitem acesso a campos perigosos, merecendo a atenção redobrada dos pais. Embora tenhamos muitas coisas boas, o inverso também é verdadeiro, podendo levar nossos filhos a terem acesso a janelas indesejadas, incompatíveis com a idade.

Mas não é só. Ainda que o acesso seja de janelas aparentemente saudáveis, o seu tempo descontrolado também é algo que deve ser contido. Estima-se que as crianças dos países do ocidente, com idade entre 2 e 8 anos, tenham acesso diário de 2h45 em média. Entre 8 e 12 anos, de 4h45. Entre 13 e 18 anos, uma média aproximada de 7h15.

Esse tempo excessivo subtrai da criança e do adolescente o tempo que deveriam estar se dedicando a outras atividades saudáveis, próprias da idade. Esse acesso descontrolado tem provocado sérios problemas às nossas famílias, notadamente aos adolescentes, já que muitos deles ficam horas dentro do quarto, às vezes avançando o seu uso pela madrugada, como se cumprisse uma prisão sem muros.

Não se ignora da importância do domínio da informática por essa nova geração, sob pena de ser considerado um analfabeto digital. No entanto, não podemos admitir que venha substituir inúmeras outras atividades também relevantes para o seu desenvolvimento físico e intelectual.

Os recentes estudos sobre o uso excessivo têm revelado que o cérebro acaba criando certa dependência, se acomodando, praticamente se tornando refém do computador, transferindo as responsabilidades naturais de pensamento para uma máquina. Em outras palavras, os nossos jovens acabam crescendo com um cérebro treinado apenas para usar a máquina, e não para pensar.

Portanto, estamos convencidos que atualmente as famílias têm que se atentar sobre essas infinitas janelas dentro de nossas casas. Assim como fechamos todas as janelas antes de dormir, temos que nos atentar a estas janelas invisíveis, para que elas também sejam fechadas no momento correto, onde certamente estaremos protegendo nossos filhos de eventuais invasores ocultos.

*Marcos Akira Mizusaki é Promotor de Justiça da Infância e Juventude de Presidente Prudente. Mestre em Direito pela UEL (Universidade Estadual de Londrina). Integra o Geduc (Grupo Especial de Educação).

O artigo também está disponível formato em PDF e no site do O Imparcial.