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TESTEMUNHANDO RARA (AINDA) INVASÃO José Raimundo Gomes da Cruz

TESTEMUNHANDO RARA (AINDA) INVASÃO

 

José Raimundo Gomes da Cruz

Procurador de Justiça de São Paulo aposentado

 

 

Episódio ainda bem raro, ontem, 24/6/19, segunda-feira, na Igreja do Santíssimo Sacramento, na Rua Tutoia, Vila Mariana, São Paulo, perto de onde resido, durante a missa das 18h30. A frequência, não sendo dia santificado, como ontem, era bem escassa, não passando de duas dezenas de pessoas, quase todas idosas.

 

De modo agitado, falando alto alguma coisa pouco compreensível e subindo até o altar, em pleno ofertório – momento essencial da celebração eucarística – o indivíduo se dirigiu ao celebrante muito à vontade. O celebrante não ficou assustado, também não se alterando a ministra da Eucaristia, que prestava a ajuda do seu ofício ao sacerdote. Nós, os poucos participantes da missa, quase todos idosos, ficamos atentos, mas só um de nós, menos idoso, caminhou até bem perto do invasor e disse, a este, alguma coisa amistosa, em voz baixa. O invasor não se perturbou e resistiu ao apelo para ele não interromper a missa. Ante a resistência dele, certa senhora idosa dirigiu-se à proximidade do invasor e ofereceu algum dinheiro a ele, que logo aceitou e apressou-se em deixar o local.

 

Acabada a missa, dirigi-me ao senhor que tentou dissuadir o invasor de sua atitude, para cumprimentá-lo. Alguns dos raros presentes também o fizeram.

 

Há quase três décadas, algo parecido aconteceu em ocasiões mais solenes: casamentos religiosos. Em geral dois invasores constrangiam os convidados presentes a contribuir com algum dinheiro para eles. Para casamento da família, não tivemos dúvida em contratar dois guardas não fardados, para evitar o constrangimento dos convidados.

 

Pedintes, na entrada ou saída das missas e outras cerimônias religiosas, não costumam faltar. Mas a invasão do templo católico, de modo ruidoso e de repente, felizmente ainda é raríssimo.

 

As igrejas católicas mantêm abertas suas portas sem guardas ou porteiros. Se alguns pedintes mais afoitos não encontrarem a menor resistência, ficarão mais audaciosos em suas invasões, pela certeza da falta de qualquer reação. A lembrança dos antigos casos de invasões durante os casamentos religiosos não inclui a subida ao altar, como a de ontem na Igreja do Santíssimo Sacramento.

 

Não se ignora o dever de evitar as tentações, mesmo com a cuidadosa guarda dos valores capazes de provocar a cobiça alheia, principalmente das crianças e pessoas de escassa formação.

 

Para alguma reflexão sobre o risco de que o mesmo invasor repita sua invasão e outros se disponham a seguir seu exemplo, a experiência deve ser divulgada e tornar-se objeto de reflexão.

 

Ainda que o invasor não conte com a participação de maior número de fieis presentes, o maior número destes fieis deve, em conjunto, tentar dissuadi-lo da sua busca de qualquer vantagem.

 

 

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