Cônsules-Gerais de Portugal e Israel falam sobre a pandemia em seus países

Mais de duas centenas de pessoas assistiram ao evento

Publicado em 29 de julho de 2020

A Associação Paulista do Ministério Público (APMP) promoveu, na terça-feira (28), o primeiro dia do evento “Combate à pandemia de covid-19 em cada país”. Nesta primeira parte, o cônsul-geral de Portugal, Paulo Jorge Pereira Nascimento, e do cônsul-geral de Israel, Alon Lavi, comentaram as estratégias e dificuldades no combate ao novo coronavírus em seus respectivos países. O presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, Roberto Livianu, atuou como debatedor, e o evento foi transmitido ao vivo pelo Youtube para 216 pessoas, com a abertura do presidente da APMP, Paulo Penteado.

Em sua fala, o cônsul-geral de Portugal em São Paulo, Paulo Jorge Pereira Nascimento, falou como foi o primeiro contato da pandemia no país europeu. “Havendo uma população flutuante, que transita com muita frequência, até diária, entre Portugal e Espanha, havia efetivamente um risco acrescido de Portugal por importação de casos a partir da Espanha. Essa situação foi claramente definida logo no ínicio, e através de um acordo estabelecido entre os governos dos países, de uma forma cuidadosa, nós procuramos controlar o trânsito entre os dois países, definir pontos de passagem seguros, procurando não impedir também pessoas que trabalhavam de um lado ou outro da fronteira”.

Alon Lavi, cônsul-geral de Israel em São Paulo, comentou sobre seu país, que já se viu quase totalmente livre da doença e agora recebe uma nova onda da doença: “Israel é um bom exemplo do que fazer e também do que não fazer. Porque Israel está hoje enfrentando a segunda onda do coronavírus, depois de termos conseguido se livrar quase completamente. Então acho que temos também umas lições importantes”. Lavi informou como o sistema de saúde conseguiu dar conta dos infectados, que hoje são cerca de 35 mil, com um número baixo de óbitos, 500. “Não temos muitos casos de mortes jovens, e a maioria daqueles que têm a versão agravada da doença é mais idoso. Nossos hospitais funcionam bem, e temos um sistema de saúde pública similar ao de Portugal”.

Após as falas dos cônsules-gerais sobre como seus países lidam com a pandemia, o presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, Roberto Livianu, trouxe uma reflexão sobre como o Brasil trata do tema: “Ao enfrentar essas dificuldades é importante recorrer à ciência, à tecnologia, e não recorrer ao negacionismo, como vem ocorrendo aqui no Brasil”, diz Livianu, parabenizando o uso de inovações tecnológicas por Israel e Portugal.

O presidente da APMP, Paulo Penteado, agradeceu a presença e as considerações dos presentes, finalizando: “A roda não se reinventa, ela já existe. Nós devemos adotar as boas práticas que existem no mundo, que já foram inventadas e que já rodam. Isso nada mais é do que a aplicação de um conceito chamado Navalha de Occam: por vezes a solução é a mais simples. A mais simples é mais difusa, a mais testada. Nós vemos a segunda crise pandêmica em cem anos, mas em um mundo completamente diferente. Não se combatem situações globais com posições isoladas e locais”.

O webinar completo está disponível no canal da APMP no Youtube. A continuação do evento será na próxima terça-feira, 4 de agosto, às 18h30, com a participação do cônsul-geral da Suécia em São Paulo, Renato Pacheco e Silva Bacellar Neto, e do pesquisador econômico do Consulado-Geral dos Emirados Árabes Unidos em São Paulo, George Ramos, com as experiências dos respectivos países no combate à pandemia. Os debates ficarão a cargo da professora Maristela Basso, do Departamento de Direito Internacional da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), e do presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público de Portugal, António Ventinhas. A abertura do evento será realizada pelo presidente da APMP, Paulo Penteado.